terça-feira, 2 de agosto de 2011

Brasil, qual é o seu negócio?

Após três dias no Rio de Janeiro acompanhando o sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, uma coisa ficou clara. O Brasil ainda não sabe o que quer com o Mundial. Desde 1994, quando os Estados Unidos organizaram o torneio, os países começaram a perceber a importância da estratégia de comunicação do evento.

Na Alemanha, em 2006, por exemplo, a Copa do Mundo foi chamada de “Tempo para fazer amigos”, numa clara alusão alemã de acabar com a desconfiança do turista em relação ao povo frio e sisudo. Como reflexo, nos anos seguintes ao Mundial aumentou o fluxo de visitantes no país que havia abrigado de maneira “quente” (dentro do que dá para haver de calor no povo alemão) o turista durante os 30 dias da Copa.

No Mundial passado, na África do Sul, foi hora de “Dizer não ao racismo”, em bandeira levantada pela Fifa e pelo país anfitrião, maculado pelo Apartheid que havia segregado mundialmente os sul-africanos nos últimos 60 anos. A Copa ajudou a quebrar pré-conceitos estabelecidos em relação à África e impulsionar a realização de novos negócios pelo país-sede do Mundial.

Mas o que o Brasil quer com 2014? Isso a gente ainda não sabe. Seja por falta de preparo de quem está no Comitê Organizador, seja pela falta de alinhamento de ideias entre o COL e a direção do país. Queremos e trabalhamos para ser a quinta maior economia do mundo até 2016, isso é um fato.

Mas e daí? Qual o benefício que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos podem trazer para que o Brasil atue dentro desse cenário? Ou será que vamos deixar passar o bonde de termos a imprensa do mundo todo de olho aqui e simplesmente não saber comunicar da melhor forma possível quem somos e o que queremos?

Isso já ficou evidente no sorteio das Eliminatórias da Copa. A não ser pelo discurso da presidente Dilma Rousseff, que tinha um pouco de lógica ao relacionar o evento com o momento sócio-econômico do país, o restante da comunicação estamos claramente “empurrando com a barriga”.

O slogan prévio da Copa é o “Bem-vindo à terra de todas as nações”. Legal, a miscigenação é um traço marcante de nossa vida. Mas e o que isso propõe? O que um gringo que chega aqui vai pensar ao ler isso? Qual a mensagem que queremos passar? Nas apresentações da semana, uma projeção feita pelo banco Itaú mostra que o país espera aumentar as exportações depois da Copa. Mas, para que isso seja possível, é preciso que o Brasil mostre a que veio.

Se não soubermos urgentemente responder a essa questão, o bonde da Copa e das Olimpíadas vai passar sem ao menos parar na estação. E, até esses eventos acontecerem, as notícias que veremos serão as mesmas de sempre: atraso nas obras, superfaturamento, uso excessivo de dinheiro público, desvio de recursos, falta de planejamento, etc.

É mais do que urgente definirmos uma linha de comunicação mundial para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos no país. É questão de planejamento estratégico. Ou, como diria Cazuza:

“Brasil, qual é o seu negócio”?

Nenhum comentário:

Postar um comentário